Saudades são jardins escondidos no fundo do nosso pensamento. Leio essa mensagem exposta no outdoor da avenida dos meus sonhos. De manhã sou recebido por um postal de sol, que urge a raiar no meu deitar ensaiando acordar. Existe mascaras dentro de mim que impendem de sentir. Não sei dizer o motivo, talvez seja essa palavra, a sua singularidade, possa ter sido afastada por camadas de vento que distanciaram a sua definição do espaço que habito. Lavar, ver o rosto molhado a frente de um espelho, se perguntar se a pessoa que está refletida é a mesma de ontem. São embates do nosso cinema, que a princípio continua sem público, formando cadeiras vazias. Nas salas de cinema do shopping não existem mais lanterninhas, que a princípio eram velhos, dominavam a linguagem cinematográfica, a modernidade tratou de enterrá-los e suprir a lacuna com garotos entristecidos que são movidos por ilusão e odeiam fazer o que fazem, assim, de repente, acordamos numa sala de exposições, rodeado de lamentações, raivas, carências, sexualidade, egoísmo, todos enfileirados ou não, mas certamente banalizados na sua totalidade, bem vindos à desaceleração da sociabilidade humana, não precisa recorrer apenas à internet pra saber que nossos passos estão presos na era do falar sem escutar. E cadê a saudade? Quem ouve? Perdido, estou vendo um reflexo que não se identifica com o dono do corpo. Assim sempre será? No corredor da mente têm vários de mim, todos pendurados por um cabide que os identificam de acordo com uma circunstância. Respostas vazias são o contra taque que defende a necessidade de ter outras pessoas em uma. Não sei mais o caminho do jardim. Está tudo muito padronizado.
Sem receio das segundas
- 11:13
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Acordar as 11hrs em uma segunda feira implica um sentimento mensurável de saudades do final de semana que não volta mais, ao contrário do dia anterior, a segunda amanhece solitária ao seu redor. Isso pode contaminar o pensamento e fazê-lo agir ao longo do dia, contra si próprio. No entanto, espreguiçar traz à tona a liberdade que uma segunda feira acordada relativamente tarde pode lhe dar. Uma vez li, em um blog, que fazer das segundas feiras um domingo séria o ideal para aflorarmos a paciência e darmos conta do quanto pequeno somos dentro de um universo. Agora escrevendo, vejo que identifiquei a pequinês e alcanço a plenitude de não temer o tempo, fazê-lo correr atrás de mim. Ser coroado o rei, sem o clichê que a palavra a emprega. Mesmo sem muito dinheiro, estando a mercê da condução pública.
Estando na frente do computador, observo vindo milimetricamente do meu lado direito, o mesmo que uso a mão para digitar palavras, um tímido vento se aproximando e invadido o quarto em um sopro só, com a janela aberta, noto que o dia está sorrindo para todos nós, basta aproveitarmos e fazermos o que podíamos e não fizemos ontem. Por culpa de medo, de outros notarem que não somos um mero rótulo. Tudo acaba se tornado uma questão do quanto traímos a si próprio. Acho fundamental, antes de dormir, contabilizar os erros que nos desviaram da realidade que construirmos até o momento, por mais que a vida solicite que uma tristeza chegue ao colo de outro alguém.
A interpretação da tristeza varia e é relida de acordo com a cultura adquirida do sujeito, não adianta reclamar, tem dias que o sol não invade a alma, portanto, estar agasalhando em dias de frio é necessário para equilibrar o seu viver e ter a certeza que só de sorrisos não se chega a lugar, notas tristes fazem um ser. Humano com o sorriso, mas, aprender a encontrar-se em choros faz um ser. Ambos dialogam e necessitam serem sentidos.
Sorriso e choro, assim é trilha, estar presente independente de multidão ou solidão, seja sol ou frio. Somos e conseguimos ir muito além do bem e do mal. Entenda, respire mais.
Final de campeonato em plena lanchonete com direito a Nouvelle Vague
- 12:32
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Deixe o saber e o pensar restrito e guardado dentro de uma monografia entregue em algum campus por ai – disse ela em pleno turbilhão de teorias que saiam da minha boca. Era como se ela estivesse ausente da própria vontade estando presente fisicamente na minha frente sentada na cadeira daquela lanchonete. Os ouvidos não estavam dispostos a prestarem atenção no que eu dizia. Obviamente que o corpo tinha planos, vagarosamente a cintura se mexia na cadeira, aqueles olhos estavam distantes, sentia. Saltitantes.
A complexidade se estendia aos quatro cantos daquela lanchonete. Percebi que o ambiente torcia silenciosamente para meu êxito carnal. Por dentro daqueles rostos angustiados havia uma criança querendo redescobrir a sensualidade afastada pelo tempo.
O antigo e previsível senso comum impregnava aquele espaço, da TV passando a novela repetida, dos talheres bem organizados sobre a mesa, das cervejas com marcas famosas e algumas estrangeiras para esboçar diretamente o entretenimento boêmio nada diferenciado.
Está certo, fugi descaradamente da troca de olhares que ali rolava, mas era verdade que não tinha acordado naquele dia com o intuito de transar com a pequena. A modernidade ao invés de alegrar meus dias, estava me deixando na pior, tirando o meu sono. Quem diria a regalia mais charmosa de outrora está démodé nos tempos da curtição saturada.
Infame - pensei. Na mente, rolava o atestado: a conversação, a prosa sobre cinema ou musica, ou tantos assuntos que poderiam entrar em voga, podendo ser a pré-liminar do eterno chamego não interessava mais as pequenas, hoje, trata-se de filosofar ou ser culto demais. Não sei onde foi parar a menina que varava a noite, e na medida correta se embriagava e deixava cair dos lábios pequenas gotas de vinho barato, recriando a cada orgasmo conquistado um dialogo clássico da Nouvelle Vague. Ou melhor e não preciso viajar a Europa, cadê a que sentia tesão por saber que era inspiração da poesia de alguém?
Me fale a direção da janela onde posso espiá-las? Não há tempo pro olhar curioso, há sempre um novo orgasmo a sentir. Orgasmos se tornaram efêmeros. As mulheres tão pouco são sacanas quanto a Cleópatra foi, está tudo padrão, vou à farmácia ver se encontro uma mulher que me cure do marasmo dos dias atuais. Pobre do homem que nasce hoje, vai precisar caminhar como o Frodo Bolseiro para achar uma galega que vale a rabada.
Se ainda parecer dúvidas quanto o diagnóstico, arrisque e tente colocar na vitrola, o velho hino, o que ajudou milhares de casais a eternizar a intimidade dupla, “Jê t`aime, moi non Plus”, verá que até de antiquado será chamado. O clichê de hoje e o bom gosto de ontem. Vaidade burra.
Das meninas e dos meninos, a cena impactante é quantidade, se apagaram da lousa a qualidade. Sexo de verdade, nem a augusta vende mais. O tempo tratou de esconder os últimos clitóris que valessem a curiosidade da língua.
A garota moderna tem pulso forte, o que é bom, confesso, mas não necessita a auto-afirmação de perguntar aos outros se é gostosa? Perde o encanto rostos angustiados! Entenda, que a mulher que brigou e conquistou os direitos estampados por cima do decote podendo ser visto no retrovisor do carro parado no transito e a mesma que esta perdida dentro da ditadura da estética.
Tira o botox rapariga. Celulite não é câncer.
O que me acanha é se deparar com um discurso machista dito por lábios delicados. Isso me faz pensar porque o Fred Kruger não invadiu meus sonhos.
Uma matilha de garotas encorajadas e padronizadas por uma falsa malandragem.
Foda é ser mulher, já tentou? Poderiam dizer as feministas coladas no radinho, entendo que há certa razão na afirmação das madames. A história diz por si só que houveram desventuras aplicadas na espécie, só fala pro desencanto partir quando noto que um bolinho de carne vale mais apena do que uma mentira escultural, corpo de modelo, ex-bbb, capa da playboy. A arte de se encorajar na hora do banho corre longe quando vejo na vitrine que uma ex- bbb qualquer pousou novamente peladinha. Quem são essas donas? É tudo manipulação, querem controlar o seu tesão.
Tempo sempre vem, tento avisar, mas não escutam, vai fazer o que?
Deve estar no mar a raiz da verdadeira fêmea, sei disso, pretendo descer a serra o quanto antes, enquanto não tenho dinheiro da gasolina, contrario a torcida. Para um cara assim, que nem eu, ser barrado no diálogo é o fim da possibilidade de acordar olhando para a intimidade alheia no recanto espelhado, marcando gol com direito a placa de honra, dada na saída, por meio das balas mais saborosas da cidade.
Tomei decisão. Olhei nos olhos descrentes de metáforas, entupidos de vontade de quantidade, neguei, ela ouviu um não saindo da minha boca, acabei por ficar. Sessão da tarde a vista, bigode - serve um bolinho de carne para mim. Ouço as vaias do estádio.
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