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10 (+) 1 Melhores álbuns de 2011


Aproveitando a onda de listas dos melhores do ano, peço licença e arrisco dizer o que no meu universo particular considerei de melhor dentro da música. Uma lista nada definitiva, pelo contrário, com as escolhas podendo ser colocada em cheque, até porque não sou nenhum profissional da música e não tenho gabarito suficiente para apontar os melhores de fato. Mas, como um admirador da musicalidade ampla, independente de gênero, sou um entusiasta é preciso de alguma forma colocar tudo que determinados álbuns me causaram ao longo dos meus dias nesse ano que começa a ensaiar o seu final.

11° Thaís Gullin – ôÔÔôôÔôÔ

A cantora não é uma unanimidade por parte da crítica, muitas são as canetas que a definem como um ponto de interrogação, nesse disco a própria parece estar andando a determinada definição, passeia pelo seu bosque musical, com classe de quem está ciente do talento que possui, ao longo do percurso enxergamos alegria e lágrimas. Difícil não ser encantado com a verdade cantada.




10° Marisa Monte – O Que Você Quer Saber de Verdade

Tudo que a Marisa for cantar terão ouvidos que certamente pararão para escutar, apesar de não ser um trabalho genial, esse seu novo álbum segue uma linha que pode ser chamado do mais do mesmo em sua carreira, porém com o hiato de cinco anos, sua voz doce faz lembrar que mesmo parecida com outrora, suas músicas ainda manifestam um bem incrível e conseguem ser mais interessante do que muita coisa que está rolando hoje em dia.


09° Lenine – Chão

Lenine é um cientista da música popular. Sem o uso de bateria e com a inserção de alguns artifícios musicais nada convencionais, como o toque de um coração, o cantor pernambucano carrega seu ouvinte numa outra dimensão.






08° Gui Amabis – Memórias Luso Africanas

Produtor musical da cena alternativa de São Paulo chamou artistas do calibre de CrioloTulipa RuizCéu e Lucas Santana para fazer um registro musical e quase antropológico sobre as nossas origens portuguesas e africanas, regado de muito afrobeat. 




07° China – Moto Contínuo

Um álbum bem feitinho que esbanja despreocupação e em nenhum momento tenta ser mais do que é. Além de notarmos ao longo das faixas a queda do suor que o artista deve ter derramado para gerar vida a obra. A intensidade da voz cantada está nos versos, na afinação dos instrumentos. 





06° Filipe Catto- Fôlego

A princípio ao ouvir as faixas de Fôlego terá a certeza que se trata de uma cantora com o timbre de voz forte, parecido com a Gal Costa ou Maria Bethânia, mas não se engane, pois a potência musical vem de um gaucho que através do seu canto emociona seu ouvinte, declarando seus amores, seja com suas canções autorais ou as interpretações de clássicos da musica popular brasileira. 


05° Rodrigo Ogi – Crônicas da Cidade Cinza

Sem dúvidas esse foi o ano do rap nacional e ao vermos essa empreitada no futuro, teremos a certeza que esse momento tratou-se de um ponto crucial. Ogi faz parte da nova safra do gênero, conseguiu retratar por meio do seu álbum todas as peças do quebra cabeça chamado São Paulo. Um disco para ser lembrado nos próximos anos.




04° The Do - Both Ways Open Jaws

O único álbum internacional presente na lista, para ser franco esse foi um ano no qual posso dizer que noventa e cinco por cento do que eu ouvi era música brasileira, no entanto, a magnitude de Both Ways Open Jaws, desse grupo metade Frances e Finlandês,  foi capaz de subverter meus passos e ter me levado a outro universo.





03° Bárbara Eugênia – Journal de Band

No momento que ouvi esse álbum me encantei com a voz delicada de Bárbara. Nesse seu primeiro trabalho solo as suas canções mostram sua ousadia e inquietude em não fazer parte de um rótulo. Uma afilhada do Cidadão Instigado, com essa referência já vemos sua ousadia.






02° Criolo – Nó na Orelha

Criolo ao lançar esse álbum deixou de ser apenas um rapper para se tornar um cantor importante dentro da história da música popular brasileira. Apesar de existir uma indústria cultural tentando gerenciar seu novo percurso, o artista do Grajaú fez uma obra prima que certamente estará na lista de muitas pessoas ao encerrar esse século, como um dos trabalhos fundamentais para a música brasileira.





01° Leo Cavalcanti – Religar  

Se a música é a companheira de sua vida, as canções de Religar foram as mais precisas, que diversas vezes tocaram a alma, primordiais durante o ano inteiro. Esse álbum, propriamente é do ano de 2010, precisamente de dezembro, porém nenhum disco tocou mais no meu ouvido que não esse. Além de esteticamente ser uma grandiosidade, que o artista consegue interligar  numa canção, vários pontos da existência  de um individuo. 

O novo Rap Nacional

A lembrança percorre os meses anteriores para apurar qual assunto foi recorrente na pauta cultural nesse ano que chega ao seu final, contrariando o seu passado de isolamento, o rap nacional através de novos artistas conseguiu atingir constantemente as páginas de diversos veículos.

No entanto, a direção nem sempre andou para esse lado, o diagnóstico era outro, o distanciamento a mídia pautava o percurso do gênero musical, que passou a década passada sendo sinônimo de marginalidade. Na linha de frente, Os Racionais Mc´s conseguiu a sua notoriedade sem apelo midiático algum, através dos próprios fãs que disseminavam e cantavam suas músicas aos quatro cantos da cidade. Além do grupo hegemônico, outros nomes se prendiam dentro do nicho, abrindo exceções a poucos veículos, tornando muita qualidade quase invisível, conseqüentemente descriminalizada. 

Ensaiando remodelar o muro de isolamento, nos meados de 2000 surge Sabotage, morto em 2003, mas que através de seu carisma aproximou outras musicalidades ao rap, já preparando, mesmo inconscientemente o cenário para a atualidade.

Há exemplo do rapper paulistano aparecia aos ouvidos da maioria casos como Mv Bill e Rappin' Hood, entretanto faziam parte de uma minoria, sem o poder midiático necessário para redistribuir outros exemplos.

E a atualidade mostra o contrário, o rap nacional alcançou a auto-estima e vem quebrando o paradigma que enfrenta durante anos. Artistas da nova geração caminham construindo novos versos que não se limitam a questão social, temas impensáveis em outrora e que saem de suas rimas agora, como o amor, a vida e amizade fazem parte de um novo repertório que visa consolidar-se na música brasileira.



A dupla principal dessa empreitada, Criolo e Emicida, literalmente invadiram os noticiários esse ano, ambos protagonizaram publicações e foram capa de uma considerável revista nacional, participaram e foram entrevistados em diversos programas da televisão, semanalmente eram lembrados em notas nos veículos impressos e se não basta-se o burburinho acabaram premiados nos principais prêmios da música popular brasileira. Definitivamente são os rostos desse novo momento do gênero, porém a luz do túnel não acaba com eles, outros artistas começam a ganhar espaço midiático , destaques para Rodrigo Ogi, Lurdes da Luz, Flora Mattos, Flavio Renegado, Projota, Rashid, Karol Conká, Rael da Rima e Pentágono.

Se antes a logística dos shows era feita para os espaços periféricos, atualmente ocorrem muitas apresentações em casas tradicionais do centro da cidade, como o Studio SP localizado na Rua Augusta, o que ocasionou a popularização das músicas, porém, convenhamos que o gênero ainda manifesta em boa parte da sociedade o preconceito, em compensação as conquistas estão se consolidando para rebater a desconfiança.

Alguns consumidores de música dizem que o motivo principal para ter ocorrido à mudança foi por conta do advento da internet, um agente determinante na vida artística da nova geração, sem as ferramentas virtuais o gênero estaria fadado ao afastamento de sempre. O que de certa forma é verdade, em contra partida a mentalidade do novo rapper se modificou, o pensamento que culmina é a liberdade que a música emprega, sem restrições, ou seja, um direito social.

Parecido com um garoto que enfrentou o medo e alcançou as suas primeiras pedaladas em uma bicicleta, o rap abandonou a sua zona de conforto e deseja alcançar voos maiores.

Carta Aberta pra Tulipa


Tulipa cante, cante mais, me perdi no seu aroma invisível e não quero ser chamado pra acordar. Se desafinar não reparo o ocorrido, digo mais, evoco palavrões se tiver gente falando mal aos quatros cantos de sua doçura. Oh Flor, minha linda tulipa, ouvir o seu cantar já me deixa feliz. Embora esteja nos seus versos há um ano exatamente, não vou mentir, teu amor é dividido, por demais fui adormecido e no caminho entediante dos trilhos do viver encontrei uma certa Gullin, na ocasião que nada parecia sair da rotina chegou Thaís prevenida, na medida segurando minhas mãos, sem apoio do escribas, me levou ali no mundo de Alice, voando no tapete voador sem desculpa interrogado pelo olhar certeiro do ferroviário respondi aham aham. Ouvindo estou aprendendo aos poucos que prefiro os nossos sambistas as besteiras americanizadas. Hoje bebo açaí, larguei a coca-cola já faz dois dias, eu sei to ligado, decisão repentina dá nisso, sem crédito para reação. Reaja criatura divina, mostre seu lamento, além do mais, não é só de ôÔÔôôôÔôô que a gente vive, se estou atolado na lama sentirei a meleca até o calcanhar. Lendo meu jornal recordo, sou Eugênia. Barbara aqui, lá, co lá, no andar cansaço do compromisso de abrir a fechadura e encontrar o meu banhar, limpando a lama do ouvindo, sinto agradecido de ter sido apresentado ao cantar dessa galega, glorioso, o tempo é mesmo curioso só depois de revisitar uma mesma canção que lembramos que não somos mais aquele menino que um dia andava pelo asfalto de toda vida, amigo, precioso, o tempo, fica nos observando, no instante mais íntimo de nosso viver, deixando de fora aquela mágoa vencida que ficou pra traz. Eugênia séria ser poeta? Enquanto meu vizinho sente o conforto de um automóvel eu não acelero as conquistas, paciente faço igual o tempo. Espero ouvindo, sentindo o gole dessa vida cantada. Já confesso que estou indo longe demais, logo agora, chegaria numa história de fogo, derretido por esse amor, esquece-te desse penar, ajoelhe-te, chupa-me e agradece a quem te machuca por essas confissões. Eu sei Deus dói demais, mas o melhor ainda é se queimar do que viver numa solidão radiofônica. Minha brava brasileira se o acaso me fez ser Negrine no ouvindo há de ser por causa de Alessandra, imagine só, seguimos pelo meu pensar que a exclusividade só acaba dando certo no sonhar. Por uma faixa fui fascinado pelo talento da moça que nem exerce o seu cantar. Como é gozada toda essa cachaça, esse giro e o amor. Não sei ser, não tem latido que faça só te escutar. Às vezes quando segue o silêncio do intervalo do seu repertório caminho pelo corredor do meu aparelho, viro a esquerda e volto pra Céu, vagarosamente no cangote me achego no silêncio no espreguiço desse orgasmo vocal. Ual, chego à parte mais íntimas da minha carta aberta. Debruço-me no minuto que não vou mais relatar nenhum sonho egoísta da minha parte. Alias vamos ser sinceros, prometo que não carece arrependimento na leitura, antes do derradeiro, prossigo diante dessa minha vontade involuntária de não acabar o inacabável, o nome é Gal, estranhamente pela Costa obtive notícias do vagabundo do meu coração preenchido pela maturidade descoberta, não faltando esperança num momento em que se quer guardar o mundo em si próprio, o vulto sonoro dessa mulher faz meu dia ter tudo o que quer. Falsa baiana que me engana ficando parada no samba, não mexendo e nem nada, tu não sabes deixar a mocidade louca, mas o destino é cruel, com esse passado não é que me faz apaixonado. Eu não rio porque sou São Paulo. Vou estacionar sem carro, por hoje a escrita dorme, mas sigo viagem, mesmo parado terminando minha confissão. Poderes que vão além do meu ouvido alimentando a minha alma. Não ligue Ruiz, só te divido, mas mesmo sendo adormecido quero te ouvir. Muito mais. Lembre-se que fui apresentado para seu jardim no dia que deixava voar o passarinho chamado Tié. Abraços e beijos de quem sonha e vai continuar sonhando com tua flor musical.

“No bloco da classe média”

Tulipa canalisa o afeto, espontânea que só, despojada também, o palco e dela, o mundo é seu. Mas, esperamos uma segunda sessão, temos o direito, então, adentramos no seu mundo retratado no seu palco, por horas- claro. A cantora paulistana participou ontem (4) do projeto Rumos Musica organizado pelo Itaú Cultural, que trará shows com novos talentos da musica popular brasileira até o dia 8 de maio. E, Ruiz, foi a primeira a se apresentar.

Vestida com uma camiseta de outra banda descolada, a Do Amor – que também é o nome da faixa de uma música sua, Ela, a flor musical, Tulipa, pode ser considerada o retrato dessa classe média jovem, que freqüenta a augusta de baixo e tem a regalia de muitas vezes, conviver e até manter um lanço de amizade com seu próprio ídolo. Imagine, uma estória dessas acontecendo, quando os tropicalistas conviviam na mesma augusta que hoje é celebrada pela diversidade, talvez, tenha sido igual, mas como eu não vivi nessa época, escapo, fujo e divago.

Voltemos para o que de fato é fatual, o show, o de ontem. Acompanhada da família, pai e irmão no palco, tocando, ela começou como no seu primeiro álbum, Efêmera, com a faixa que ganha o mesmo nome. Entre seus versos delicados e seu pedido, entendemos, o recado estava dado, hoje ela iria ficar mais um pouquinho, iria ficar devagarinho, só que não era tarde de domingo, era noite de quarta-feira regada há ventos gelados e cervejas igualmente geladas e compradas na banca de jornal. Eu não comprei, mas enfim, o palco era dela!

Exaltada pela mídia e refletida nos seus fãs, ela tem potencial versátil, mas segue uma única linha, musicas vão, é o ritmo pouco muda, mas a originalidade é ela, não se levar tão a sério, isso a ajuda. Cantando, pintando quadros abstratos no seu mundo, mas, que demonstra ser parecido com o da platéia que a vê. Sem medo de careta e de sentar no chão, além de estar na sua particularidade, ela brinca com sua voz, a domina como quê, a prende numa jaula e a solta, variações ocorrem, desafinações nenhuma, parece não fazer força pra cantar, palmas pra ela, que não entrou no burburinho de ser a nova musa da MPB. Eu gosto de ouvir ela, por ela brincar com a sonoridade. Por ela não ligar de ser observada. Isso, hoje, é raro, que seja contemplada por isso, não por falsas mentirinhas para vender “revista Cult” espalhada por ai.

E nesse contexto: Tulipa Ruiz, tocou todas as faixas do seu álbum, lhe sobrando o atrevimento de fazer o cover da música “Da maior importância” de Caetano Veloso. Com a promessa de segundo show cumprida, uma combinação de satisfação preencheu o espaço, publico e artista, dupla felicidade numa noite fria. Cada um segue seu caminho e veja que interessante o bloco da classe média se despende desse encerramento de dia puramente musical.

Tiê - Show de Lançamento do "A Coruja e o Coração", no Auditório Ibirapuera

Aviões espalhados no chão. Grandões e pequenos, todos de papeis, coloridos, e preenchendo o palco inteiro, do lado, instrumentos a mostra, sem uso (por enquanto). Primeira visão ao entrar no auditório do Ibirapuera para conferir o show do lançamento de “A coruja e o Coração”, segundo trabalho da cantora Tiê.


Devidamente sentado, platéia lotada, a banda entra: deitaaaaa, primeira palavra dita na musica “Na varada da Liz”- já de premissa a demonstração do novo estado, a voz baixinha, intimista, ganha força no tom, com a ajuda de uma banda por trás, consegue fazer qualquer admirador musical ficar gamado na “simplicidade” e na meiguice da canção.

Respira um pouco, em seguida, já emplaca “Dois”, – redundante dizer: é como se dissesse em seguida, não perdi a essência - “penso” - ta aqui o saudosismo do primeiro álbum ocorrendo, o ritmo ganha pequenas sonoridades, se encontra um pouquinho diferente do que ouvimos no “Sweet Jardim”, e é encantador da mesma forma.

Ela fala um pouco conosco (a platéia) que está rodeada de figuras ilustres, de Leandra Leal a Tulipa Ruiz, agradece a todos sem restrição, canta sua versão saliente, “Só sei dançar com você” acompanhado de um cello provoca pequenos passos em todos - tenho certeza, ninguém resiste a um convite pra dançar, o ritmo leve e tímido sempre se sagra vencedor.

Quando o espetáculo parecia seguir um padrão: com muitas musicas nova e algumas antigas, a banda sai do palco e ela, com seu produtor (Plínio Profeta) retomam a parceria de outrora e juntos, por meio de “Passarinho”, protagonizam o momento mais bonito do show: o portão de trás do auditório ao poucos, bem devagarinho dançando com a voz doce da cantora, nos confunde e por instantes, mente a mercê da vista, só vemos o portão abrindo aos poucos, a princípio parecia um telão ilustrando um jardim, de fato o jardim estava aparecendo e percebemos que era real, estávamos vendo o parque, um crepúsculo no jardim, por conta da noite, sem medo de se apagar no escuro, viramos pássaros, voamos com Tié. Arrepia só de lembrar. Mágico!

Ainda sim, temos de bandeja mais duas músicas ilustradas por esse cenário, no piano ela toca “Te Valorizo”.  Saio dali por instantes, vou longe, entro na melodia e faço meus próprios pensamentos, penso que tenho a sorte de estar ali. Outra magia!


Dividida entre canções e um mini show de “stand up”, Tié segue assim, agradecendo, contando piadinhas, dançando folk timidamente, esboçando sorrisos - aquela atmosfera faz lembrar brevemente das atrocidades recentes - sobressaio em mim, sinto o outro lado da moeda, o simples de se emocionar pelo pouco, pois é assim: numa noite de sexta, casa lotada, todos dispostos a receber a poesia musical, instrumentalmente perfeito, do coração e as corujas, talvez, seja nós, o publico que fica a observar, analogia tola? Não importa!

Quando os instrumentos falam as primeiras notas, uma sombra da coxia ensaia entrar, notamos uma inquietude nela, “Mapa Mundi” é tocada, nem na metade, a sombra vence e se torna Thiago Pethit , o autor da canção, entra para fazer o dueto.

Palmas e violão, Cello – “Você não vale nada” – constrangimento na platéia que curiosamente, estava consumindo um dos hits populares mais tocados dos últimos tempos no país, mas na voz da cantora?  Não! E a luz do palco dá dicas, essa releitura, tem duas fazes duas cantoras, nesse cover, ela consegue combinar a sua fase nova e antiga, a voz forte e a voz baixinha. Entre o azul e o vermelho, “ela se divide em duas” e canta.  No final solta humm Ufa!

Bises, ela diz isso. Apresenta a banda, faz agradecimentos. O show acentua término. Mas como ela diz, tem mais duas canções antes do fim: “Chá Verde” e “Na Varanda da Liz” – termina como começou... Transmitindo renovação e ares novos, mas sem esquecer-se da essência.


Lançamentos musicais que empolgam ou não!

 De dois meses pra cá, houve um boom de lançamentos sucessivos de álbuns no mercado musical nacional e internacional. Diante da notícia nada de novo, há nisso uma tradição que ocorre há séculos, com tudo, esses dois meses pra mim se tornaram especiais, muita coisa nova e que esperava, enfim ganhou forma e pude comprovar ouvindo.

No inicio de março existiu a comoção quase unânime de notar que a banda americana The Strokes, lançava seu quarto e aguardado álbum após quatro anos de recesso, “Angles” que foi comentado por aqui e ainda não saiu do meu celular, prova de que pra mim esse trabalho ainda figura obsoleto como o melhor do ano.

O velho trio REM na metade de março também apareceu em cena para lançar o “Collapase Into Now” – o décimo quinto trabalho da banda e nesse Michael Stipe fez questão de gravar só musicas inéditas, porém, sou saudosista no que se diz respeito ao trio, não curti muito o lançamento, fiz questão de guardar na gaveta, para um dia, quem sabe dar uma segunda chance.

Se existia o projeto que esperava ansioso para conferir era “A coruja e o Coração” da cantora paulistana Tiê, que depois do seu primeiro trabalho “Sweet Jardim”, me fez tornar fã incondicional, por causa do seu carisma e sensibilidade inserida na suas canções, que são de própria autoria, algumas dividindo entre parceiros, um deles o amigo e cantor Thiago Pethit. Mas, existia uma total ansiedade para rever o fantástico mundo da cantora, portanto, se concretizou e o álbum chegou, trazendo a certeza de que o primeiro tem uma superioridade difícil de ser refeita, em compensação, a voz delicada e algumas leituras de canções de outros artistas fazem o segundo LP ser competente e prestigiado.

Acho válido citar a estréia solo do multi-instrumentista, Domenico Lancelloti, conhecido por ser colaborador de diversos músicos e também integrante da “Orquestra Imperial”, em seu primeiro disco solo, lança uma obra quase cinematográfica, “Cine Prive”, que segundo o também cantor Rômulo Frôes em um artigo escreveu que o músico flerta a todo o momento com um personagem criado musicalmente, em que o método sonoro cinematográfico se reverteu, a trilha sonora estava aparecendo antes do filme que nem sequer existia, em outras palavras, Lancelloti criou os personagens para um filme que não foi realizado. Particularmente, me senti motivado em ouvir esse álbum, (no qual ainda não tive a oportunidade fazê-lo), por influência direta de Frões.

Escrevendo na semana de seu burburinho e do seu lançamento, a segunda obra de Marcelo Camelo, “Toque dela” pode ser entendido como um trabalho de continuação, como se fosse a segunda parte do “Sou”, um dos motivos por achar isso e pelo titulo que o cantor escolheu dar, quando penso em “Toque Dela”, querendo ou não, enxergo a figura de sua namorada “Malu Magalhães", a outra razão é que musicalmente o trabalho inteiro percorre como uma resposta para composições do primeiro, como se no primeiro a solidão fosse o mecanismo inspirador e no segundo o amor rebate esse estado só (ou seja, uma evolução concreta ocorreu). Logo de premissa: ele versa cantando que triste é viver de solidão, se fazer o exercício de recordar, notaremos que na primeira faixa de “Sou”, ele canta, que todo amor encontra sempre a solidão. Além de outros mecanismos sutis, no entanto, Camelo mostra para quem é fã de Los Hermanos, que o pior não ocorreu com o fim da banda, pelo contrário, testemunhamos o nascimento de um letrista ágil é leve, por meio de sua intimidade chega ao denominador comum e se torna abrangente sendo singular.   


Quase colado com o “Toque Dela”, houve o ressurgimento de Dave Grohl e sua trupe, depois de um ano e meio sem aparecer, o Foo Fighters trouxe o seu sétimo disco, o “Wasting Light”, que traz o que a banda sabe fazer de melhor, não inventar e tocar a forma simples do Rock “N” Roll. Barulhento, dançante, inspirador, Foo Fighters aparece novamente no circulo central do cenário musical e tem grandes chances de ser considerado um dos melhores lançamentos do ano. A boa é antiga formula de se tocar sem ser levado a serio e isso, Grohl sabe de sobra.

The Strokes, Angles, 2011



The Strokes: não lançava nada novo desde 2006, o último álbum foi “First Impressions of Earth”. De lá para cá a banda permaneceu cinco anos no hiato.

Os integrantes dedicaram-se a projetos (paralelos): Julian Casablancas gravou recentemente seu primeiro álbum solo: Phrazes For The Young (bem recebido pela crítica).

O guitarrista Albert Hammond Jr lançou dois álbuns Yours To Keep (2006) e Como Te Llama (2008).

O baixista Nikolai Fraiture montou uma banda chamada Nickey Eye.

“O baterista Fabrício Moreti também lançou uma banda - "Litttle Joy”, que traz o Hermano Rodrigo Amarante nos vocais.

 O único que realmente não fez nada em termos musicais foi o outro guitarrista, o Nick Valensi.

Apesar do envolvimento em outros projetos, uma coisa era certa, a banda que havia revolucionado o início da década não teria virado mera lembrança, eles voltariam mais cedo ou mais tarde. Pois bem, já na metade de 2010 surgiram boatos que davam como certo o lançamento de um novo álbum, após buchichos de todos os cantos, o guitarrista Albert Hammond Jr confirmou que o quinteto entraria em estúdio pra fazer um novo trabalho.

Angles se torna o quarto álbum da banda, com o lançamento previsto para o dia 21 de março, que será na próxima segunda-feira, no entanto, por ter vazado na internet, já consegui ter alcance as novas musicas.

E posso dizer que foi o principal atrativo da semana, ouvir de novo a velha sonoridade do grupo foi uma dos melhores fatos do ano (até então), não tenho dúvidas disso e nem estou sendo ufano. Mas é porque, considero Strokes uma das trilhas sonoras da minha vida, determinadas canções remetem diretamente a momentos incríveis que recordo sempre no ato de ouvi-las.

A palavra Angles realmente pode ser aplicado ao conteúdo, do primeiro ao décimo single reconhecemos a sonoridade que transformara a banda no sucesso que é, porém notamos também um amadurecimento musical impressionante, no quesito produção, os ângulos foram realizados de uma forma cuidadosa para fazer desse disco o melhor do ano.

Ao mesmo tempo em que retornam a sua raiz, adentram em novos caminhos.

Rápido de se ouvir e fácil de viciar.

Alguns críticos odeiam o fato deles alavancarem tanta expectativa dos fãs diante de um novo lançamento, os argumentos contrários ao sucesso existem aos montes, prefiro não ler, desviar de tudo isso e reafirmo nesse parágrafo novamente, Angles sem dúvida nenhuma é responsável por um dos melhores momentos do ano pra mim, principalmente tendo em mente uma nova etapa no qual estou passando (mas divago).

Eu só quero dizer que longe de qualquer sinal de resenha do álbum, empregando termos técnicos em cada melodia, quero ir além desse vicio intelectual. Pouco importa porque eu gostei tanto do disco, eu senti a energia, simples assim: ouvindo Games me sinto bem, ouvindo Under Cover Of Darkness senti vontade de dançar, ouvindo Taken  For a Fol senti confiante, ouvindo Metabolism transcendi ...  Só não termino falando do resto das canções, porque agora vou ouvir mais Angles!

A melhor banda dos últimos tempo da última semana: The Black Keys



Sabe aquele álbum que escuta e automaticamente acaba por achar que se trata da melhor banda do momento? Pelo menos pra você: o ouvinte.  Pois é, acho que para os admiradores de uma boa musica isso é freqüente, não que seja modismo ou coisa do tipo, pelo contrário a musica é rica, torna-se impossível a denominação única do melhor ou do pior: os melhores costumam surgir em temporada, a cada mês ou como já dizia uma musica do Titãs, a melhor banda de todos os tempos da última semana.

Ocupando um lugar que já foi de tantas bandas como: Radiohead, Beirut, Los Hermanos, Moveis Coloniais de Acaju e tantas outras, quem aparece ostentando esse humilde título de melhor banda da atualidade pra mim são os americanos “The Black Keys”.

A princípio, ao escutar “as faixas da banda” você tem a impressão de se tratar de um grupo de quatro ou três músicos, no entanto, The Black Keys é composto por uma dupla. Dan Aurbach – vocal e guitarra e o baterista Patrick Carney.

Formado em 2001 na cidade de Akron (Ohio): a banda totaliza oito álbuns lançados e se sustenta como um dos maiores nomes da cena underground americana e mundial. Com o recente lançamento em 2010, Brothers, a banda deslanchou o seu nome no Brasil, refletindo na aparição de clipes na MTV brasileira.

Já tinha ouvindo falar da banda em outrora, gostei muito da sonoridade, que guardando as devidas proporções remetia um pouco a também dupla The White Stripes, porém como não sou muito bom em classificar e criar analogias musicais segui me contentando a exclusivamente ouvir a musicalidade que me impressionará na dupla, só que devido a falta de tempo, de outras bandas, musicas e etc, nunca tinha dado a atenção devida ao Black Keys. Mas tudo mudou no começo desse ano, quando escutei Howlin` For You – pensei cá com os meus botões, que aquela música era inspiradora: a bateria surgindo e a guitarra acompanhando aquelas batidas que me deixavam feliz só por escutar. Pensei novamente, que aquela musica não poderia ser um achado da banda, portanto, com as possibilidades da web 2.0, baixei o último lançamento, foi quando descobri perolas como: Next Girl, Black Mud, Tighten Up, enfim, posso falar do disco inteiro, não seria o suficiente. No metrô hoje, tive um pensamento certeiro ao ouvir She´s Long Gone – to ouvindo a melhor banda da atualidade da última semana.Sem Mais.    

Albúns Lançados: 

Magic Potion (2006)

Os álbuns que eu mais ouvi esse ano

Chega ao fim mais um ano, 2010 se vai, só resta as lembranças. Um ano bom para muitos e ruim para outros, algo normal ao se tratar de vida, pois bem aquele velha sensação de inovação rodeada de esperança com mudança é fácil de ser encontrada nesse mês. Mas, se tem coisa que eu sempre gostei no final de ano é as listas de melhores: melhores canções, melhores filmes, melhores álbuns, enfim todo o balanço de um ano inteiro feito pela mídia ou por qualquer outra pessoa ou instituto, isso independente do veículo, se tiver lista eu gosto e acompanho. Lembro que quando tinha os meus 11 pra 12 anos, em todo final de dezembro ficava de ouvidos nas rádios para descobrir quais eram as melhores canções escolhidas por determinada estação radiofônica. Ao ter crescido me distanciei das rádios, por conta da invasão fabricada de musicas enlatadas destinadas ao sucesso, fui me deparar novamente as listas em um blog de um jornalista famoso, o Zeca Camargo, apresentador do fantástico, foi em 2008 que parei no espaço virtual dele e por acaso era dezembro, lá continha uma pequena lista de melhores álbuns, pirei com aquilo só tinha musica boa e melhor,  eu não conhecia quase nada de lá, tratei de baixar a maioria da lista. Hoje, é tradição eu acompanhar a lista que ele faz, não só de musica, como também de livros e cinema.

Andei pensando, como é legal esse negócio de listar as coisas que você mais consumiu no ano, porque não, eu também embarcar nessa parada e fazer a minha humilde lista de melhores álbuns que ouvi em 2010, já que eu consegui manter esse espaço durante esse ano, nada mas justo que eu mesmo me presentear e organizar as canções companheiras que me acompanharam durante esses 12 meses. 

Não tenho a intenção de nada, como disse só quero me presentear, espero que daqui alguns anos, me barre com esse post e lembre de tantos momentos que aconteceram e marcaram meu ano, onde sempre estava escutado alguma música ou pensando.  Nessa lista será escolhido os 10 álbuns que mais escutei. A princípio é isso, não se trata dos melhores do ano, mas sim dos melhores pra mim, que fizeram parte dos meus risos, anseios, medos, tristezas, caminhadas, hora rios de pico, indas a faculdade, sextas feiras loucas, fim de semanas pré-teatro, fim de semana pós-casa da minha mina, enfim, segue a lista abaixo:

10° Calla - Strenght In Numbers (2007) 

Calla é uma banda Rock Indie Estadounidense, nada conhecida no Brasil. Eles formaram a banda em 1997 no Borooklyn, de lá pra cá, já se foram 09 álbuns lançados. Esse é o ultimo lançado. Não me recordo como conheci essa banda, mas sei que ela faz parte do inicio do ano. Passei Meses ouvindo esse CD. A banda tem uma pegada um pouco parecida com a banda inglesa Interpol.  Destaco a faixa 04: Sleep In Spleendor e 07: Bronson. - A voz do vocalista é demais. Gostava de ouvir no túnel do metro onde viaja demais.




09° Emicida - Emicidio (2010)

Eu já tinha gostado da primeira mix-tap dele- "Pra quem mordeu cachorro por comida até que eu cheguei longe", porém em "Emicidio" - Emicida evolui, isso é claro logo na primeira faixa: "É Agora", onde ele faz um relato sobre a fama que conseguiu, e faz o inverso  do rap nacional tradicional, em vez de colocar a culpa nos outros ele consegue construir um musica com uma mensagem positiva, mesmo com a batida tão agressiva, em seguida vem a faixa- Cê Lá Faz Idéia, no qual ele identifica a mazela racial, numa refrão poderoso e uma batida melhor ainda. Além de ter outras faixas que falam sobre o amor, sobre a batalha de Mc na santa cruz, uma homenagem pro Racionais Mc´s, sem falar na importante questão que ele coloca: quem ganha mais com a miséria: A política, o Datena ou o Rap?  


08° Thiago Pethit - Berlim Texas (2010)

A Thiago é a versão masculina de Tiê. Com letras simples e arranjos bonitos, Berlim Texas fez parte de muitas noites em claro onde estava triste ou alegre. O bom desse álbum é esse, serve pra tristeza e tanto pra alegria. Posso falar também que Pethit é o Beirut brasileiro. Agora que ele ganhou o VMB, vai longe, merece, porque a música dele toca na alma, fornece inspiração, destaco a faixa 06: Fuga N°01, que tem tudo haver comigo.






07° Dub Incorporation - Diversité (2003)

Imagine uma banda de reggae francesa - é Dub Incorporation que honra a bela história do reggae. O som dos caras é demais. Escuto e levito, não me preocupo com nada ao redor quando ouço, viajo nas vozes, nas guittaras, na bateria, melodias. Conheci essa banda muito por acaso, tava a procura de uma banda de Dub no 4 shared, quando vi essa banda na lista e baixei na hora de ouvir, fui para melhor faixa, à 04: Rude Boy, pirei, foi numa madrugada. Dormi ouvindo o CD. Fiquei maluco. Dub Incorporation foi responsável por eu voltar a dar atenção ao gênero reggae. Sem mais.




06° 3 Na Massa - Confraria das Sedutoras (2008)

Projeto paralelo que reúne Dengue e Pupilo do Nação Zumbi, e Rica Amabis do grupo instituo junto com cantoras da música brasileira e atrizes, só beldade, de Leandra leal a Pitty, de Lurdes da Luz a Thalma de Freitas.  O interessante que logo que saiu esse álbum eu baixei, na primeira impressão não havia gostado, então permaneceu perdido no documentos do computador durante bom tempo. , por alguma razão que eu não sei a qual, esse ano tratei de ouvi-lo, dai a surpresa achei demais, viciei por meses, não saia de casa antes de ouvir a faixa 8: Objeto - cantada pela Nina Becker, todas as faixas são boas, existe uma mistura interessante nesse álbum e um charme único também.


05° Marcelo Jeneci - Feito pra Acabar (2010)
  
Ele surgiu em Guainazes e não toca Rap, um caso raro,  já tocou com Zélia Ducan, Arnaldo Antunes, Chico César e Vanessa da Mata. Fez o seu primeiro álbum, que estará com certeza em todas as listas, seja nas tradicionais ou em amadoras como essa. Uma Sanfona, uma bela banda, uma voz feminina acompanhando - Laura Lavieri  e muita jovem guarda. Letras que falam de como não é obrigado ser feliz, de tristeza, de amor. mas tudo isso sem ser démodé. A faixa 3- Felicidade é a minha musica de final de ano. Se soubesse tocar algum instrumento com certeza a minha primeira canção seria Dar-Te-ei, a faixa 6, que é linda.


04° Portishead- Dummy (1994) 

Nunca é tarde para ouvir Portishead. Eu sei disso, sempre admirei essa banda, mas nunca peguei para ouvir um álbum específico. Quando fiz isso, conclusão: viciei - Todas as faixas são fodas - uma obra prima de 1994. Batidas perfeitas, melodia tranquila, voz que fala na alma. Durante bom tempo, meu celular era proibido de apagar esse álbum. Roads é a melhor música. É do tempo, não é datada, tenho certeza que daqui uns vinte anos, escutarei de novo esse álbum é será tão intenso como é hoje. O mundo precisa descobrir mais Portishead, depois que ouvi "Dummy" foi um pulo para ouvir outros da banda. A banda perfeita pra escutar a todo momento, mas debaixo do chuveiro, vendo a água cair é uma viagem.



3° The Beatles - Sgt Pepper´s Lonely Hearts Club Band (1967)


Foi assim, confesso, não se falava em outra coisa que não Paul Maccartney,por isso acabei ouvindo um Poadcast do Jovem Nerd sobre a banda, é nesse programa falaram desse álbum Sgt Pepper`s Lonely Hearts Club Band, que era revolucionário, que tratava-se de uma obra de arte e divisor de águas no mundo musical, pois bem, baixei, já conhecia sucessos isolados da banda, como Help, Something, enfim, mas nunca tinha ouvindo um inteiro. Ouvi essa, só tenho uma coisa a dizer: Puta Que Pariu onde estava que nunca tinha parado para escutar essas canções. Único, instrumentos perfeitos, experimentações incríveis, bem diferente dos Beatles tradionais que é conhecido na mídia. Getting Better, Sgt Peppers Lonely Hearts Club Band, Fixing a Hole, o mantra do Within you Whithout You, enfim, são trilhas que se tornaram fundamentais para meu desempenho final na faculdade.

02° Kamau- Non Ducor Duco (2008)

Penso, existo, evoluo, analiso, pesquiso, reconstruo, insisto, resisto e assim continuo pra ficar raiz no ramo em que atuo. Refrão da faixa 03- Evolução na Locução, foi uma das musicas que mais escutei esse ano, era certa pra ser ouvida na sexta feira. Voltava no último metrô, com esse CD inteiro sendo executado. Considero esse álbum um dos melhores já lançados no rap nacional, Kamau faz rima fácil, fala de amor, fala superação, fala de sensacionalismo, de positividade. Rimas inteligentes, sacadas impressionantes, batidas fortes. Non Ducor Duco foi muito mais do que musica, servia como remédio pra melhorar da depressão, pra continuar a ver a esperança na vida de concreto. Todas as faixas são demais, todas dialogam comigo, retratam meu momento, conseguiram enxergar eu, de uma forma que ninguém enxergou esse ano. 

1° Otto - Certo dia Acordei de Sonhos Intranqüilos (2010)

Otto acordou de sonhos intranqüilos, eu por intermédio dele também acordei. Otto sofria antes de ter lançado essa obra prima, eu também. Certo dia acordei de sonhos intranqüilos, não é um simples álbum, é a obra de arte desse cantor pernambucano, que demorá dois séculos pra lançar uma coisa assim novamente. Não se nasce Beatles, Chico Buarque, Pink Floyd, David Bowie, sempre. Não adianta coisas assim demoram pra acontecer de novo. Escutei esse CD inteiro uma vez, não gostei tanto, escutei a segunda vez, não podia ouvir outra coisa. Foi a coisa sonora que mais tocou esse ano no meu celular e no meu computador . As musicas 6 minutos é poesia, Saudades é linda, Crua é demais, todas são incríveis,  serviram pra mim como um recomeço. Peguei esses dias pra escutar novamente e não tive dúvida, viciei de novo e soube que aquelas canções que fazem parte desse disco foram as melhoras do ano. Claro pra mim.      
    

Menino Prodígio


34° Festival de Cinema de São Paulo: Menino Prodígio, produção de origem canadense, dirigida por Luc Dionne, estrelando: Patrick Drolet, Marc Labrèche, Macha Grenon.

Trama que retrata a vida do pianista André Mathieu, um pequeno fenômeno canadense que surgiu na década de 40, com apenas 4 anos de idade já compunha e tocava de uma forma fascinante.

Por seu pai - Rodolphe Mathieu aprendeu a tocar suas primeiras notas em um piano. Quando ainda um menino batia na porta dos vizinhos acompanhado de sua Irma para oferecer seus serviços musicais em troca de moedas.

                                       O pequeno prodígio conquistando a Europa

É foi assim que o pequeno Mathieu conquistou a Europa por seu talento único. Numa cena que gera calafrios de emoção: Diante de um recital com público lotado em Salle Gaveau (Paris) as suas composições refletiam nos rostos emocionados de todos presentes. A crítica parisiense foi unânime em declarar: esse fenômeno do piano trata-se de um novo Mozart.

Serge Rachmaninoff, pianista russo, um dos principais nomes da musica clássica disse ao repórter ao ser perguntado o que era Andre Mathieu, sua reposta foi rápida: é um gênio, é melhor do que eu fui.

Inseridos num contexto novo em um ambiente onde o que impera é o poder, sua mãe e seu pai ficaram deslumbrados, sobrecarregando cada vez mais o menino prodígio e deixando de lado sua Irma, onde literalmente sua existência havia se tornando uma sombra perto da dele.

Pelo governo de Quebec (Canadá) ganhou uma bolsa de estudos em Paris, onde aperfeiçoou o seu talento, no entanto por conta da eclosão da segunda guerra mundial, ele e sua família precisaram voltar para Montreal.

De volta a sua cidade, ele iniciou uma turnê pelo seu país e nos Estados Unidos, no qual novamente tocou todos os presentes com uma performance inesquecível em um recital no New York City. O pequeno pianista responde aos curiosos como cria suas formidáveis canções, imagina estar atrás de um navio observando o canto das gaivotas, seus dedos transformam o abstrato em forma, em sentimento e porque não em vida. O ataque de abelhas, o barulho dos índios viram composições.

Os tempos dourados se foram e a idade para Mathieu chegou. Ele presencia os tempos mudarem. A modernidade chegou à arte antiga é ultrapassada, uma velocidade impressionante acompanha todas as formas culturais.

                                                   O prodígio cresceu e se perdeu

Nesse contexto, o menino prodígio se perde: conhece o álcool, as mulheres, a solidão, o matrimônio. Em um confronto com o seu passado caminha diariamente rumo ao seu próprio inferno pessoal.

Perdido, concretiza que foi esquecido. Sua arte permanece, porém pela infelicidade dos admiradores da boa arte, morreu sozinho no anonimato.

Eu já disse isso antes, é volto a reafirmar, o cinema é foda, tem o poder de inserir o público em diversas épocas, formas e vidas. Não conhecia a obra e a vida desse menino prodígio, pelo cinema acabei sendo apresentado. Para alguns isso é banalizar a obra de determinado artista, entretanto nesse caso, é claro que não é possível retratar fielmente a vida do biografado, mas, ao contrario de promoções publicitárias fajutas (CDs da folha) que propõem adentrar em algum contexto cultural o sem possuir nenhum apelo artístico, essa produção deixaria Mathieu feliz, por tratá-lo de uma forma poética.

                                                          a sua arte

A obra retrata um fato que aconteceu na década de 40 e ainda hoje é colocado em pauta, a quebra da infância da criança, devido o abuso de pais que sobrecarregam erm suas crianças, tudo o que não conseguiram fazer quando tinham idade por incompetência, sucesso e fama.

Sem dúvidas, menino Prodígio foi o melhor longa metragem visto por mim nessa amostra de cinema, porque consegue misturar variações que eu gosto em um universo cinematográfico, trilha sonora orquestrando a cena, a perfeição na sincronia dos atores, o foco da câmera em momentos tristes e a complexidade do protagonista sendo levada em questão ao longo da trama.


Ficha Técnica:
Titulo original: L´enfant prodige
Ano: 2010
Diretor: Luc Dione
Roteirista: Luc Dione
Elenco: Patrick Drolet, Zaccari- Charles Jobim, Marc Lambrèche, Itzhank Finzi, Karine Vanasse, Macha Grenon.

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