Quebrando o Tabu
- 18:23
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Não é de hoje que a nossa sociedade precisa deixar de lado o conservadorismo e discutir sobre a nossa relação com as drogas, independente da posição, é necessário debater o tema, para assim dar o primeiro passo. E, dessa forma, Quebrando Tabu, documentário dirigido por Fernando Andrade, se propõe realizar o exercício de discussão, elaborando um clima confortável para futuras reflexões.
A droga sempre foi um tema constante na minha vida, não por ser usuário, mas, por ter notado cedo a dualidade do discurso repressivo, a contrariedade exposta nas políticas e as enganosas propagandas contra o uso, que mais incentivam do que combatem. No Começo ficava sem entender o paradoxo sobre a questão, a inquietude no comportamento dos país em relação ao tema, claro que hoje, vejo e tenho a resposta que o comportamento não passava e passa de um reflexo deturpador que a mídia adota para incentivar o medo, a curiosidade, o lucro que a droga gera para milhões de pessoas.
Coisas que persistem atualmente e que ao meu ver não passam de meras ingenuidades, para não dizer outra coisa, basta se aproximar da verdadeira informação a respeito que terá a prova, ou seja, argumentos pifeis como uma vez usada a droga, viciado nela ou a droga é o caminho para a morte não podem mais ganhar espaço.
Desde que soube o que era droga, que tenho o cuidado de não colocá-la como a protagonista de um possível sofrimento humano, ela só é um objeto que potencializa a circunstância do individuo de acordo com sua história e espaço, sempre se atentando que cada caso segue sua particularidade.
Entretanto um tema desses ainda é tabu na sociedade na qual vivemos, em plena pós-modernidade, beirando a sucessivas evoluções eletrônicas que ocorrem diariamente e na era das redes sociais, isso ainda “quase” reina no Brasil. O assustador é ver o quanto desqualificado e pobre fica o debate nas mãos dos mais jovens, parece que entre eles existe uma herança epidêmica do conservadorismo repassado pelos pais.
Desse modo o documentário: Quebrando o Tabu, que acompanha o Ex-Presidente Fernando Henrique Cardoso numa serie de percursos que tem o intuito de encontrar políticas regulamentares e opiniões distintas de diferentes figuras mundiais sobre as drogas, em especial a maconha, tem como objetivo inserir a discussão nas classes brasileiras.
As opiniões passadas vão desde ex- usuários a usuários, passando por personalidades como os ex- presidentes americanos Jimmy Carter e Bill Clinton.
Como se pode notar, no nosso país não tão distante de uma posição progressista, mas que a contra partida também enfrenta uma série de retrocessos, precisa de mais documentários assim, que divulgam fatos e mais fatos que desmistifiquem a mitologia que beira o preconceito. Pra você que desconhece muitas questões a respeito das drogas e procura uma opinião mais embasada do que um simples blogueiro, assista o filme, tire suas dúvidas, quebre de vez o tabu.
Para interesse social, o ex presidente FHC participará em conjunto com a Comissão Especial de Políticas Públicas de Combate às Drogas para discutir sobre a questão. A data ainda é incerta.
Quem sabe, essa seja a gênese de um futuro eficaz, pelo menos no que diz respeito a esse problema, é que possamos olhar para trás e ver um distante e desinteressante status castrado de embasamento e seriedade.
Em encontro há desencontros
- 18:15
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Stacey canta, emocionado fico sem saber o que ela fala, estrangeiro também no ouvindo, a melodia transforma a música em santidade, simplesmente pelo tom ajudar, me sinto Bob Harris, me sinto Charlotte. É preciso ocorrer fatos para se ter a certeza de tão longe você está do lugar que é seu. Tudo é ruído e nada faz sentido. O silêncio de Sofia é belo. Me identifico, mesmo estando nesse país. No caminho, há fim em tudo. De repente você enxerga o que esteve a sua frente o tempo e o momento inteiro, porém justamente hoje, um dia que julgava ser comum se torna revelador. Eu não faço menor idéia, Stacey o que sai da sua voz? Não há como saber, por enquanto, mas, meus passos sabem que no caminho simplório tem lembranças e fins. O fim é inevitável, tudo acaba, tudo passa. As lembranças se tornam saudosismo, ontem, passei na frente de um lugar que remete e preencheu os meus poros naquele dia, hoje, saudosismo puro. Eu queria ver como seriam certas atitudes transformadas em outras coisas, sabe se fosse disco, que viesse agora o lado b disso, só para alimentar a curiosidade. Tenho duas décadas vivas, as vezes aparenta séculos. Andar dói, saber que é o longe a resposta de agora dói, porém anima quando sei que há paginas em brancas por ai, tanta gente, tanta coisa, e saber que não sei o que sai na voz de Stacey me incomoda, pensar dói, escrever de repente foi um remédio e que tem data de validade quando amanhã meu olhar não enxergar a rotina. Mas isso também tem seu fim! Bob Harris, Charlotte, Nina, Mr. Tambourine Man, Supertramp, Antoine Doinel, todos eles em um, todos eles em mim. Amanhã dilataremos distâncias.
De fato não existe amor em SP, a cinematografia paulista reafirma isso!
- 16:56
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Toni Ventura, diretor brasileiro, com potencial, realizou uma obra prima contemporânea. Para o feito, usou como pano de fundo uma SP (São Paulo), conhecida por ser uma cidade diversa, onde estende em um mesmo varal: a pobreza e a riqueza. Pode parecer o mais do mesmo em um dos caminhos do nosso cinema brasileiro, porém, em Estamos Juntos, seu novo filme, há uma Leandra Leal soberba do início ao fim, madura o suficiente para demonstrar na tela que se trata do seu melhor desempenho artístico.
Mas a história que ameaça trilhar o itinerário conhecido não demonstra força apenas com a presença da atriz, que diga se de passagem faz parte de um bolo recheado de cerejas. A mesma SP identificada na canção “Não existe amor em SP” do MC Criolo, ressurge na tela, através da trama de Venturi, que não dialoga diretamente com a canção, mas como o canto diz muito sobre a escassez do amor no concreto, a analogia pareceu válida.
A todo o momento o fio condutor é a própria cidade, que tantas vezes é cenário para a sucessão de egoísmo que persiste e aparece nas diferentes formas, refletindo no cruzamento de desinteresses, que por sua vez causam a ausência do coletivo. E assim, que Carmem - a personagem vivida por Leal sente-se e segue, sem ninguém: esmagada, fora de rumo, estrangeira. A única saída que encontra é se apegar ao lúdico, que de tanto servir, a distância cada vez mais das pessoas.
Pessoas, que são as mais variadas, como SP é de fato. Desde o seu amigo Gay ou o jovem violinista argentino, passando pelo seu ambiente de trabalho, finalizando por uma comunidade humilde do bairro da Luz, na qual ministra palestras sobre cuidados na saúde.
Sentimentos, indivíduos, objetos que encontram e desencontram a sua vida. Entre o retrato do drama pessoal de sua protagonista, o longa-metragem, consegue identificar algumas mazelas da nossa metrópole de uma forma nada caricata.
Real e Seco. Juntando um bom roteiro com uma trilha sonora muito bem desenvolvida e excelentes atuações fazem de “Estamos Juntos” se não uma obra prima contemporânea, um filme muito competente, que merece ser visto, para pensarmos na contradição da nossa cidade, que apesar de estarmos tão perto de todos, continuamos sozinhos, olhando ela através de uma janela.
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