O recorrente esquecimento !

Faz exatamente uma hora e meia que o Corinthians perdeu o jogo contra o time colombiano Deportes Tolima, resultando na eliminação precoce na pré-libertadores. 

Não costumo escrever nesse espaço sobre futebol, no entanto, abri a exceção e ainda ajudo a fortalecer minha promessa descrita no post anterior, em me esforçar na escrita de outros assuntos, que não trate somente de cinema. Portanto, usei o pitoresco fato do fim da noite, para indicar a minha revolta em torno do comportamento errôneo - à flor da pele dos brasileiros, castrados de razão, no que diz respeito a tudo.

Ao final da partida a ser perguntado sobre o desenrolar do resultado final – Ronaldo: falou que estava atordoado, depois dessa auto-definição, criticou o campo onde acabará de jogar, o estádio “Manuel Murillo” em Ibagué – na Colômbia, questionando que era incomensurável a Conmebol aceitar um campo daqueles, causando aos “Zé povinhos” de plantão – um prato cheio para apedrejar o jogador, só que em seguida do questionamento, veio a auto culpa, foi nessa hora que o jogador confessou que a equipe não ganhou porque jogou mal. Mas quem ainda estava de ouvidos para testemunhar o restante da entrevista? Ninguém, a galera gosta mais é de criticar e permanecer sentado à frente da televisão para ver de camarote a degradação de alguém – prova disso é o show de horror do: Big Brother Brasil. Mas divago.

Via redes sociais, via comentaristas desinteressantes esportivos (futebolísticos) – os nada ponderados eram firmes em afirmar – “Ronaldo está colocando o campo como a razão pela derrota” – Alguém menos preparado, sabe que na verdade isso não é uma desculpa, que se estabelece como fala concreta do individuo – sendo usada como a predominância total do esclarecimento sobre o fator do ocorrido (que no caso foi à derrota) – Ronaldo falou aquilo, porque foi pego num momento que acabará de jogar em busca de um resultado favorável, foi pego no pulo, falou a primeira coisa que veio a mente, uma sociedade menos incontrolável e mais racional, pouparia o engano (se teve) e tentaria entender que um dia se ganha e outro se perde. É que por (somente) o péssimo desempenho coletivo em campo, o time inteiro perdeu e não foi culpa única de uma pessoa.

As criticas feitas pro Ronaldo faz retornar com força “aquele velho ditado popular” – brasileiro tem memória curta – É impressionante, que a maioria esqueceu do feito conquistado na Copa do Japão e da Coréia, que esse rapaz chamado Ronaldo Nazário – ainda apelidado de Ronaldinho – realizou em 2002 junto com um grande elenco – O titulo da  Copa do Mundo de 2002 – consagrando-se o artilheiro de todas as copas.  Dando a volta por cima, sendo aclamado por todos brasileiros. Agora, nove anos depois, ele é tido pelos mesmos que o consagraram como o mascarado.

Sobre existir piada da sua condição física, acho isso mó barato, ainda limita-se a brincadeira tradicional das torcidas rivais, só que passar disso pra questionar o porquê da sua participação na Twitcam, isso é reflexo da carência do brasileiro, a dúvida persiste no que uma ferramenta revolucionaria que serve para aproximar a pessoa publica da pessoa anônima refleti no condicionamento dos jogadores dentro de campo? 

Poderia citar tantos outros que fizeram tanto pelo Brasil, que alcançaram um estado que ultrapassa uma categoria especifica, favorecendo outros campos do país, conquistando os seus devidos lugares na história ainda recente de uma nação que como dito antes, segue carente de racionalidade e confusa de amor por determinado gosto. Mas divago novamente, por achar que Ronaldo fará parte desse time que só é lembrado pelas coisas ruins, enquanto as coisas boas servirão para serem citadas, quando for conveniente.

É difícil ser um Roberto Carlos ou o Ayrton Sena no Brasil, sem o apoio de uma emissora de televisão na construção de sua imagem é quase impossível, nada contra os dois, pelo contrário, mas atingir uma condição de respeito diante dos seus feitos é um direito básico, é não um alcance distante.

O paradigma não se restringe somente ao mundo publico – o esquecimento é recorrente nas varias esferas privadas que preenchem o país. Quem fez hoje, já tem que fazer melhor e mais amanha, porque se não, as conquistas alcançadas são substituídas pela crítica. O defeito sempre sobressai a qualidade.

Para constar o comportamento do país “do só agora” – temos um fato recente, sobre a contratação do Rivaldo pelo São Paulo – antes da certeza da ida do meia-atacante (campeão do mundo e duas vezes o melhor jogador do mundo) – um desses desinteressantes comentaristas de futebol chegou a falar que essa negociação não passava de um marketing barato do próprio jogador que estava velho, ultrapassado e em decadência – um momento: citar que o jogador está numa fase ruim ou perdeu o futebol que o tornou uma estrela é valido, por isso apoio criticar o Ronaldo em termos de partidas feitas, somente – mas, respeitando o histórico que o profissional conseguiu, sem o uso indevido de palavras de baixo calão como: ultrapassado – pipoqueiro – pilantra. O que Refleti diretamente na opinião da audiência, ou seja, o telespectador que discursa igual e sem restrição, como o comentarista que só abre a boca pra falar besteira.

Com todo o mal entendido da falta de memória – proponho voltar a ler esse texto no futuro e retomar a essa discussão, para observar a degradação de outra estela, que hoje é campeão de elogios – Neymar – espero que esse seja diferente, mas a sina dos tempos diz o contrário. É por fim, não saído de dentro do campo, posso constatar que uma das carreiras mais brilhantes do futebol está chegando ao fim, de uma maneira triste.

Joe Pesci - o mais motherfucker do cinema

Já faz um tempo que eu quero me aventurar nas amplitudes do cinema e de outros assuntos, não ficar preso e limitar-se a escrever somente resenhas despretensiosas. Sabe como é - a idéia de fazer algo novo me seduziu. Aproximadamente no ano passado, nesse mesmo período, voltei a escrever minhas impressões sobre os filmes que eu assistia no cinema, o que era um exercício direto para treinar a escrita.  Portanto, vou executar uma proposta semelhante – vou fazer um breve resumo da vida (perfil) de determinado ator, atriz, diretor ou até mesmo banda, cantor e cantora.  Conforme Tulipa Ruiz canta em sua canção “Efêmera” – vou devagarzinho com as coisas que eu gosto e nunca são efêmeros. Sem pretensão a nada, com o antigo objetivo de treinar a escrita.


O primeiro histórico diagnosticado será de Joseph Pesci, conhecido como Joe Pesci em sua profissão: ator.

Não teria como ser outra pessoa, acho-o um dos melhores atores que já vi atuar.

No dia 09 de fevereiro de 1943 nascia em Newark – Nova Jersey (EUA) uma das figuras mais interessantes de Hollywood.  Parte de uma família de ítalo-americanos, filho de Maria que era cabeleira e Ângelo Pesci um motorista de empilhadeiras da General Motors. Aos cinco anos demonstrou seu primeiro interesse na interpretação, foi para Nova York fazer algumas peças teatrais, cinco anos mais tarde, conseguiu ter um programa infantil na televisão, chamado de Startime Kids, onde era o apresentador.

No entanto tinha um objetivo: ter uma carreira musical, tocou guitarra durante sua adolescência inteira, onde trabalhou por muito tempo como barbeiro, porém parou para concretizar seu sonho. Conseguiu integrar a banda Joey Dee eo Starliter, na qual tinha como integrante ninguém menos que Jimi Hendrix. Não demorou muito para ele se desvincular do grupo e partir para carreira solo, lançando um álbum em 1968 – cujo nome é "Little Joe", acompanhado de seu amigo e futuro parceiro no cinema Frank Vincent.  Ao contrário do previsto, sua carreira na musica não obteve sucesso.   

Com isso, a retomada na carreira de ator, deixada na infância, era inevitável, teve sua estréia no cinema em 1975 em o “Colecionador de Mortes”, mas foi em 1980 que conseguiu seu reconhecimento como ator, estrelando “Touro Indomável” – seu segundo longa metragem que rendeu a sua primeira indicação ao Oscar por Ator coadjuvante. Além de marcar o inicio de duas parcerias que fariam história no cinema: com o ator Robert DeNiro e o diretor Martin Scorsese.

Desse ano pra frente, sua carreira deslanchou, se antes perseguia uma carreira musical, foi no cinema que obteve o sucesso profissional e acredito o prazer em trabalhar também. Em sua extensa carreira foram grandes papeis interpretados, destaque para o eterno motherfucker – Thomy DeVito de “Os Bons Companheiros”, o também motherfucker - Nicky Santoro de “Casino” e o ladrão atrapalhado - Hary – do clássico “Esqueceram de Mim 1 e 2”.

Em 1999 anunciou sua aposentadoria precoce, alegando querer mais tempo pra musica. Só que em 2006 voltou a atuar em “O bom pastor” – a pedido de seu amigo Robert DeNiro – que dirigiu a fita.  Uma curiosidade é que Pesci atuou seis vezes ao lado de DeNiro

No ano passado ele atuou em Love Ranch - ao lado da atriz britânica Helen Mirren – (trama que fala do primeiro puteiro legal do estado de Nevada dos EUA) – filme que ainda não chegou aos cinemas brasileiros e provavelmente não chegará, por ser um filme de baixo orçamento.

Agora, ele deve estar conversando com Martin Scorsese para acertar os últimos detalhes para iniciar as  gravações de mais um filme sobre máfia realizado pelo diretor ítalo-americano, que também chamou para integrar o elenco: Al Pacino e Robert DeNiro. Esperar para ver o resultado.

 Abaixo segue todos os filmes feito por ele: 


Prêmios e Indicações

Oscar - 1981
indicado como Melhor Ator Coadjuvante por, Touro Indomável


BAFTA - 1981
venceu como Melhor Ator Coadjuvante por, Touro Indomável





Oscar - 1991
venceu como Melhor Ator Coadjuvante por, Os Bons Companheiros
Globo de Ouro - 1991
indicado como Melhor Ator Coadjuvante, por Os Bons Companheiros.




MTV Movie Awards - 1993
indicado como Melhor Ator Cômico, por Meu Primo Vinny.




MTV Movie Awards - 1996
indicado como Melhor Vilão, por Cassino.

Scott Pilgrim – Contra o Mundo (Scott Pilgrim Versus The World, Edgar Wright, 2010)

“Uma Obra prima que merecia ser lida e vista  por todos"



Pegue o conflito amoroso de Brilho eterno de uma mente sem lembrança e misture com as cenas de Kung Fu de Kill Bill, duas fórmulas que determinaram um único resultado: Scott Pilgrim- Contra o Mundo, uma verdadeira obra prima cinematográfica.

A HQ:

Scott Pilgrim é uma HQ criada pelo canadense Bryan Lee O`Malley em 2004– que inovou o mundo dos quadrinhos, ao realizar uma história multimídia, que reúne dentro de um mesmo espaço: diversas plataformas da cultura pop: cifras de musica, receita vegetariana, referências do manga e do vídeo-game.

A Adaptação:

Ao total, são seis quadrinhos lançados, com sua finalização em 2010. Mesmo ano da adaptação cinematográfica, dirigida pelo brilhante Edgar Wright. Em sua versão, Wright pegou o melhor das seis histórias e montou uma projeção moderna, dialogando com o adolescente de uma forma poética, sem ser démodé.

Se existe um quase consenso de reclamar que as adaptações cinematográficas não condizem com as obras adaptadas, nesse caso, a fita de Pilgrim escapa de uma maneira brilhante desse estigma. Acredito que o fã dessa saga não tem razão para o lamento. Eu li o quadrinho e assisti a produção, identifiquei uma excelente reprodução do produto original, claro, que guardada a devida proporção, já que em algumas ocasiões, não teve como, não elaborar estratégias próprias (roteirista) para o desenvolvimento da trama. (Ressaltando novamente, o filme trata-se de uma história com o melhor dos seis quadrinhos lançados)

Scott Pilgrim Contra o Mundo



Breve sinopse:

Para quem ainda não conhece: A sinopse da HQ e do filme é a seguinte: Scott Pilgrim (Michael Cera) é um garoto canadense de 22 anos, sem trabalho, recém iludido amorosamente, baixista do Sex - Bob Omb – (sua péssima banda) e que dividi um quarto com seu amigo gay – Wallace (Kieran Culkin). No inicio da história, sua turma, incluído sua Irma mais nova e mais descolada, Stacey Pilgrim (Ana Kendrick), enchem o seu saco, pelo fato dele ter engatado um romance com uma chinesa colegial – Knives Chau (Ellen Wong). No entanto, por uma questão do acaso ou não (depende do ponto de vista), Pilgrim se apaixona loucamente pela misteriosa Ramona Flowers (Mary Elizabeth Wistead) – uma americana, recém chegada do Canadá – que trabalha na Amazon. Só que existe um problema, podendo dificultar a união dos dois – “A liga dos setes ex-namorados de Ramona”- No intuito de conquistá-la de qualquer forma, ele travará um duelo contra os ex-– como se estivesse num jogo de vídeo-game, com varias fases - tendo que passá-las.

Genialidade:

Contando essa narrativa para alguém que nunca leu ou viu – parece ser simples – o que na verdade é, no entanto, a forma que a simplicidade foi tratada é o que faz do quadrinho e da projeção – verdadeiras obras primas.


Scott Pilgrim é um retrato genial da imaturidade adolescente descobrindo a maturidade adulta. Contada de uma forma moderna, sensível e poética. Destaque para o uso de outras mídias dentro da linguagem  cinematográfica. Além de fazer referências a produtos da Cultura Pop que doutrinaram gerações. Portanto, além da "A rede social"  vemos outro exemplo de cinematografia que represente a geração Y.



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